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Dedicação cria talento

                                                                              

Gabriel Guimarães foi considerado um dos alunos mais brilhantes de Harvard

"Gabriel Guimarães é um gênio da ciência da computação", afirma uma matéria do "Business Insider", site norte-americano especializado em negócios e tecnologia. Quem não conhece a história de Gabriel pode talvez imaginá-lo um pouco grisalho, já com uns bons anos de estudo e experiência prática que alicerçam esse título. Na verdade, Gabriel é um capixaba de 21 anos, estudante de ciência da computação e economia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, eleito pelo site de notícias como um dos 19 atuais alunos mais brilhantes da lendária instituição de ensino.

A trajetória do brasileiro tem como um divisor de águas o ano de 2011, quando, ainda aluno de Eletrotécnica no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), ele concluiu, à distância e em menos de três semanas, o curso CS50 oferecido pela universidade norte-americana. Trata-se do curso básico de ciência da computação de Harvard, que oferece uma base sobre a área de programação e abre o caminho para a atuação em webdesign, bancos de dados, sistemas eletrônicos e programação de software, entre outras possibilidades.

Encantado com a experiência, Gabriel resolveu compartilhar a oportunidade com outros alunos brasileiros que não dominam a língua inglesa e criou o CC50, uma adaptação totalmente em português e gratuita do curso CS50, autorizada pelo instrutor original do curso de Harvard, David Malan. Além de todo o material disponível online, Gabriel deu aulas presenciais para mais de 160 alunos e colocou os vídeos no site do curso.

Atualmente no terceiro semestre da graduação e Head Teaching Fellow (professor-bolsista, que trabalha como assistente de um docente) do CS50 -, Gabriel conversou com o Porvir sobre os caminhos que o levaram a Harvard e suas perspectivas para o futuro, como você pode ler a seguir:

Porvir: Quando você olha para trás, quais são os momentos, as decisões tomadas em relação à sua educação que você considera fundamentais para ter chegado não só a Harvard, mas a um papel de destaque dentro da universidade?

Gabriel Guimarães: Eu sempre gostei muito de aprender e sempre aprendi muito rápido. Violão, línguas, matemática, programação. Eu boto na cabeça que quero aprender alguma coisa e me dedico muito àquilo. Até depois de vir para Harvard essa característica de aprendizado continua bem forte. No meu primeiro ano, fiz um curso de matemática chamado Math 55, que é tido como o "curso de matemática mais difícil do país". Eu não tinha experiência quase nenhuma com provas e matemática pura quando comecei, mas a minha vontade de aprender falou mais alto e no final das contas eu acabei conseguindo tirar A.

Uma das decisões que com certeza marcaram a minha vida foi o dia em que eu resolvi traduzir o CS50 para português, criando o CC50. Esse com certeza foi um dos meus maiores projetos, que me abriu diversas portas para outros projetos interessantes, mas eu não diria que se tratou de uma ideia "brilhante", que aparece para poucos. Acho que se uma pessoa se aventura o suficiente em um campo que gosta muito, esse tipo de ideia aparece naturalmente. E o campo não precisa ser necessariamente acadêmico. Pode ser esporte, dança, música, atividade social. Enfim, as possibilidades são inúmeras. No meu caso, eu já estava interessado em programação e comecei a buscar mais e mais sobre o assunto, então a ideia de querer trazer oportunidades de aprendizado de computação com qualidade para brasileiros apareceu de forma natural.

Porvir: Como você mesmo disse, a decisão de traduzir e disponibilizar o curso CS50 para estudantes brasileiros abriu muitas portas para você. Causou um maior impacto o nível de conhecimento que você mostrou ao disponibilizar o curso ou o fato de tê-lo feito de uma forma altruísta, para dar chance a alunos que não têm fluência em inglês?

Gabriel: Acho que o formato altruísta do curso foi algo super natural. Eu queria atingir o maior número de interessados possível, então a ideia de cobrar estava fora de cogitação. Várias pessoas queriam que eu buscasse parcerias e verba na época, mas eu preferi deixar os custos bem próximos de zero para não precisar desse tipo de coisa. Já vi muitos projetos falharem porque os idealizadores se prendem em uma busca eterna por parcerias e nunca botam a mão na massa. Para mim o mais importante é fazer acontecer. Então, pensando nisso, comecei a trabalhar e, quando tive que me comunicar com o diretor do IFES para pedir uma sala para dar o curso, o material já estava todo pronto e o CC50 já tinha 90 alunos interessados inscritos.

Porvir: O que você acha que te diferencia da média como estudante? Até que ponto as suas competências e habilidades têm a ver com genialidade e a partir de quando elas são fruto de uma lapidação que vai além de se ter uma inteligência extraordinária?

Gabriel: Talento com certeza é importante, mas dedicação cria talento. Na minha opinião, até a própria "facilidade de aprendizado" pode ser aprendida, esticada e desenvolvida. Eu decidi aplicar para faculdades nos Estados Unidos junto com a minha irmã mais nova no meu primeiro ano do Ensino Médio. Na época, nós decidimos falar só inglês um com o outro para praticar, o que fazemos até hoje, cinco anos depois. Desde aquele dia eu também comecei a me esforçar muito, tanto no colégio quanto na busca por fazer sempre mais do que só o básico que todo mundo fazia. Isso me levou, por exemplo, a começar a assistir aulas de Cálculo e Física com os alunos de graduação em Engenharia quando tinha 14 anos. Muita gente pode achar que esse tipo de coisa é difícil sem nem tentar. Tente! Se você estiver realmente disposto a trabalhar para que aquilo dê certo, é muito difícil dar errado. Na minha opinião, essa vontade constante de fazer mais e melhor é muito mais importante do que "genialidade" pura.

Porvir: A experiência em Harvard tem sido o que você imaginou? Há algum projeto específico no qual você está trabalhando ou que pretende desenvolver durante a sua formação?

Gabriel: Harvard é ainda mais do que eu imaginei. Depois de terminar o meu primeiro ano aqui, eu voltei para casa no Brasil e conversei com meus pais sobre o meu amadurecimento nesse ano que passou. Foi com certeza o ano mais denso da minha vida, tanto em quantidade de material acadêmico que estudei, quanto em amizades importantes que fiz e também em lições pessoais que tive. Antes de vir para cá eu não estabeleci metas muito específicas além de aprender o máximo possível sem deixar de me divertir. Atualmente o meu trabalho como Head TF do CS50 é o meu maior projeto. O curso tem um staff de 100 pessoas e alcança mais de 330 mil alunos no mundo inteiro. Adoro esse trabalho porque mescla a parte técnica de computação com educação e impacto social, além de incluir vários aspectos de management (gestão) que também gosto muito.

Porvir: Você já pensa no que vai fazer quando se formar? Qual seria o cenário ideal para você em 2017?

Gabriel: Eu penso em trabalhar com algo relacionado à tecnologia e inovação e com certeza quero voltar para o Brasil depois da graduação. Acho que o Brasil tem muito potencial e oportunidades maravilhosas, além de pessoas extremamente engajadas com quem eu quero muito trabalhar. Os defeitos do nosso país devem ser resolvidos por nós brasileiros e eu quero muito trabalhar por isso. Seguindo esse raciocínio, também não gosto de pensar em um "cenário ideal" porque mesmo um cenário ruim apresenta oportunidades e desafios muito interessantes. Gosto de ser otimista e pensar que qualquer cenário pode ser ideal se abordado da forma correta.

Que tipo de empreendedor é você?

Empresários "viciados" em abrir negócio vão de site evangélico a lotérica

O tipo de negócio pode ir de um extremo a outro, porque o que importa para eles é empreender. Motivados pelo desafio, os chamados empreendedores seriais (que abrem vários negócios) não se contentam com a rotina de uma empresa já estabelecida. Preferem se desapegar e deixá-la na mão de outras pessoas, desde que isso abra caminho para iniciar um novo projeto.

UOL ouviu três empresários com esse perfil. O economista Israel Salmen já abriu de site gospel a portal caça-descontos, passando por uma corretora de ações. O engenheiro mecânico Sérgio Kulikovsky se especializou em abrir e vender empresas de tecnologia. Já o administrador Mauricio Catelli gosta de apostar em diferentes negócios como casa lotérica, imobiliária e empresa de TI. 

Mineiro empreende desde os 13 anos

 

Israel Salmen, do Méliuz

Aos 26 anos, o mineiro Israel Salmen já iniciou quatro negócios. Ele começou a empreender informalmente aos 13, fazendo sites. Aos 15, criou um site com fotos de eventos evangélicos junto com um primo mais velho.  Em um ano, a Galeria Gospel estava fotografando eventos em Belo Horizonte (MG), Governador Valadares (MG), Guarapari (ES) e João Pessoa (PB).

Aos 17, ele se mudou de Governador Valadares para Belo Horizonte, para se preparar para o vestibular, e deixou a empresa com o primo. Aos 19, abriu uma corretora de investimentos com um colega da faculdade. O trabalho estressante e a dificuldade em agradar os clientes do mercado financeiro o desmotivaram, ou melhor, o animaram a iniciar outra empreitada.

Em 2011, vendeu a corretora e abriu seu negócio atual, o site Méliuz, que oferece cupons de desconto para compras em lojas parceiras. "O foco tem que estar na motivação e não no produto. O produto deve ser uma consequência de algo que você quer fazer, que gera benefícios para outros. Ele é um mero coadjuvante", declara.

Empresário já está no sétimo negócio

 

Sérgio Kulikovsky, da Acesso

Sérgio Kulikovsky, 44, está em sua sétima empresa de tecnologia. "O que mais gosto é da fase do planejamento e de colocar a empresa no mercado", diz. Sua trajetória como empreendedor começou em 1998, com a NetTrade, corretora de ações online. Depois, ajudou a fundar a certificadora digital Certisign, a empresa de pagamentos online Boldcron e a loja de jogos Banana Games, que foram vendidas.

Entre os insucessos, estão uma editora para livros eletrônicos e uma empresa de consultoria em telecomunicações. Atualmente, ele preside a Acesso, empresa que emite e gerencia cartões pré-pagos. "Vender a empresa é algo que está sempre no meu radar, mas eu não trabalho com esse foco e, sim, em torná-la competitiva", declara.

Diversificando investimentos

 

Mauricio Catelli, da Imper

Mauricio Catelli, 47, administra a imobiliária Imper, em São Paulo, fundada por seus pais há 40 anos, mas criou a Imper USA, que vende imóveis nos EUA para brasileiros, a CAS Tecnologia, de engenharia de sistemas e automação, e foi dono de lotérica no final dos anos 90.

"Eu trabalho pensando na continuidade dos negócios, exceto no caso da lotérica, que eu pretendia que fosse por tempo determinado. Mas o que mais me motiva é ver resultados de ações novas e inovadoras", afirma.

Inquietude motiva, mas falta de foco pode ser problema

Cynthia Serva, coordenadora do Centro de Empreendedorismo do Insper, diz que o empreendedor serial é inquieto e está sempre atento às oportunidades de negócio que possam surgir. "Ele é uma pessoa dinâmica que gosta de desafios. Quando o negócio chega na estabilização, em que o papel dele é gerir, ele fica desmotivado. Ou ele monta equipes para isso ou vende e parte para outra."

Para Renato Fonseca, gerente do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), o desafio dos empreendedores seriais é a falta de foco. "A pressa em iniciar negócios pode fazer com que ele não consolide nenhum. Além disso, é importante que ele tenha métricas para acompanhar a empresa e faça cobranças periódicas, mesmo se deixar a administração para outros."

Uma pesquisa feita pela Endeavor, organização não governamental de apoio ao empreendedorismo, levantou seis tipos de empreendedores no Brasil; entre eles estão o empreendedor nato, o situacionista, o que quer ficar rico, o idealista, o que faz as coisas do próprio jeito e o herdeiro.

EMPREENDEDOR NATO: é aquele que vê oportunidades de negócio onde outros não veem, segundo João Melhado, pesquisador da Endeavor; otimismo, autoconfiança e coragem são as características mais marcantes desse perfil; "O empreendedor nato coloca suas ideias em prática desde cedo, seja vendendo picolé para completar a renda familiar ou assumindo responsabilidades na empresa onde trabalha", diz

SITUACIONISTA: é o perfil de empreendedor mais comum no Brasil, de acordo com o pesquisador da Endeavor; algum fator externo precisa motivar o situacionista a ter o negócio próprio, empreender não é um desejo natural dele; "Esse perfil é o oposto do nato, é menos otimista, autoconfiante e protagonista. Se a oportunidade não 'cair no colo' dele, jamais será um empreendedor", afirma 

BUSCA DO MILHÃO: são os empreendedores que abrem o negócio próprio com o objetivo de ficar rico; em geral, é formado por jovens de 25 a 34 anos, segundo Melhado; "Aqui, a maior motivação é ganhar dinheiro e o empreendedor pode partir para um ramo do qual não gosta ou não tenha afinidade por acreditar que seja rentável. Porém, nem sempre é", declara

IDEALISTA: é otimista, corajoso e tem o desejo de mudar o mundo, de acordo com Melhado; ao contrário dos que buscam o milhão, o dinheiro deve ser a consequência de um trabalho que provoque impacto social; "Para o idealista, o lucro é menos importante. O principal objetivo é criar um negócio que traga benefícios para a sociedade ou melhore a vida de um grupo de pessoas", afirma 

MEU JEITO: tem o jeito próprio de fazer as coisas, não gosta muito de seguir regras e repassa crenças pessoais para o negócio, diz o pesquisador da Endeavor; "Esse é um empreendedor que tem maneiras diferentes de lidar com funcionários, tende a ser mais flexível do que a média dos chefes e dificilmente trabalha em algo em que não acredite"

HERDEIRO: as características empreendedoras ou o próprio negócio são herdados da família; os empreendedores desse perfil se caracterizam por terem se preparado para assumir a empresa e, quando estão no comando, colocam em prática o que aprenderam com os pais e em escolas de negócios, segundo Melhado 

http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2014/12/10/empresarios-viciados-em-abrir-negocios-tem-de-site-gospel-a-loterica.htm#fotoNav=7

 

Belo exemplo de trabalho e crescimento financeiro e profissional.

"Hoje há excesso de desgraça na TV. A Ana Maria Braga trocou o pudim pelo presunto", dispara Ratinho em entrevista

Conhecido por seu temperamento explosivo, Carlos Massa, 55, o apresentador Ratinho, revela seu lado mais tímido, família e o jeito caipira, durante entrevista ao UOL. Com 15 anos de carreira e sem nunca ter frequentado uma universidade, ele conta como alcançou a popularidade que tanta almejava e conquistou um patrimônio considerável.

Atualmente, ele é dono de oito emissoras de rádio, da rede filiada do SBT no Paraná (Rede Massa), tem 13 fazendas, uma área de 220 mil hectares no Acre, 10 mil cabeças de gado, dois aviões, negócios de café e soja e cinco mil funcionários.

Tendo apenas concluído o ensino médio, Ratinho afirma que sente falta de ter estudado. “Gostaria de ter feito geografia ou história. Seria um ótimo professor de história, adoro saber sobre as coisas, adoro ler biografias. Adoro os livros do Gabriel García Marquez.”

Com visão de mercado e público, Ratinho não quer mais apresentar programas policiais e diz que esse tipo de temática já está “batida.” “Hoje há excesso de desgraça na televisão. AAna Maria Braga trocou o pudim pelo presunto”, dispara. Leia abaixo a entrevista completa com o apresentador.

UOL - Como você iniciou sua carreira na TV?
Ratinho - Eu comecei cedo na TV, ainda quando ela era preto e branco. Eu fui muito persistente. Fui para televisão, de fato, no programa “Cadeia”, exibido na rede CNT (Central Nacional de Televisão). Foi aí que comecei a ser profissional de televisão. Trabalhava como repórter policial. Sempre quis ir para TV.

UOL - Você teve uma infância pobre, porém sua ousadia fez com que você conquistasse o público. Como você avalia sua trajetória?
Ratinho - Eu sempre busquei ser popular de alguma forma. Na infância, eu era o menino mais popular da escola e na pré-adolescência era líder do colégio. Procurei a popularidade de todas as formas possíveis. Trabalhei no circo como palhaço, viajei por um ano com uma trupe de artistas mambembes, tentei ser cantor, mas desafinava demais, era horrível. Fiz essas coisas para tentar ser popular. Meus pais sempre me apoiaram, sempre acreditaram em mim. Meu pai diz que todo mundo tem que fazer o que gosta na vida. O ser humano só é feliz se faz o que gosta.

UOL - Você ficou fora do SBT durante um ano e oito meses, logo depois o Silvio Santos pediu para que você retornasse. Hoje você divide o lucro do programa. Como funciona essa parceria?
Ratinho - Minha parceria com o Silvio funciona da seguinte forma:  Se o programa fatura R$ 5 milhões, R$ 1 milhão é destinado para pagar as despesas da atração; R$ 2 milhões vão para o SBT e o restante para “Rede Massa”, minha empresa.

UOL - Como é sua relação com o Silvio Santos?
Ratinho - Ah, é a melhor possível. Faz um ano que a gente não se vê. É uma beleza [risos]. Falando sério agora, a gente se dá bem. Devo muito a ele.

UOL – Dividir o lucro com o SBT fez com que a pauta do seu programa mudasse?
Ratinho - Chegamos à conclusão de que programa que fala palavrão e exibe violência gratuita não tem patrocinadores, apesar da audiência. Optamos por uma temática alegre, sem apelação para termos mais anunciantes e a mesma audiência. Quando o Silvio me convidou para apresentar programa policial, eu automaticamente mudei o foco, sem falar nada com ele, pois já tinha muita gente na TV falando sobre desgraça. Tem notícia ruim desde as 6 horas. Eu não quero mais fazer isso. Foi uma decisão minha. Acostumei com o auditório, só quero ter programa com plateia agora.

UOL - Como surgiu a história do DNA na TV?
Ratinho - Fiz isso no programa porque um pai me procurou, aí deu ibope e resolvi continuar. Eu introduzi isso na TV, nem mesmo as novelas falavam sobre isso. O teste de DNA não termina no palco, nós damos toda assistência para família após o programa.

UOL - Por muito tempo você buscou altos índices de audiência. Você ainda é um cara ambicioso por alcançar esses índices?
Ratinho - Não. Quero ter uma boa audiência ainda por uns dez anos. Fazemos um arroz com feijão bem temperadinho para alcançarmos isso. Tento ser terceiro lugar no ibope, mas aí fico concorrendo com novela (exibidas na Rede Globo)... e aquelas novelinhas são boas né?

UOL - Por que você parou com o jornalismo policial?
Ratinho - Hoje existe excesso de desgraça na televisão. Quando eu comecei a apresentar programa policial só havia praticamente o meu programa. Agora, logo cedo a Ana Maria Braga já coloca desgraça na TV. Ela trocou o pudim pelo presunto. A população está cansada disso. E outra, o crime no Brasil se organizou. Hoje, se eles quiseram matar eles matam. Eu quero viver para minha família. Não existe essa de valentão, de não morrer. Morre sim e como eu não sou valentão... Assisto ao programa do Datena, gosto dele como pessoa, apesar do mau humor [risos]. Teve uma época que os jornais começaram a criar “encrenquinha” entre a gente, aí ele me ligava e dizia: “hoje eu vou meter o pau em você”. A gente combinava tudo. Somos muito amigos.

UOL - O início da sua carreira foi como repórter policial. Alguma vez você foi ameaçado de morte?
Ratinho - Ameaça séria não. Tem uns “imbecis” que ligam no seu telefone, mas ameaça séria eu nunca recebi.

UOL - Você se arrependeu de entrevistar o Guilherme de Pádua?
Ratinho - Eu não me arrependi de fazer a entrevista, mas sim de entrevistar ele. Ele me enganou. Disse que tinha um segredo para contar e usou meu programa para se promover. Logo depois, a Globo e a revista “Veja” o entrevistaram e ninguém falou nada. Por que a Glória Perez e os “merdinhas” dos atores da Globo não criticaram esses veículos também? Tentei falar com a Glória depois, mas ela não quis conversar. Não fiz a entrevista para ofendê-la, era apenas um programa de TV. O Guilherme de Pádua é um bandido e o tratei assim.

UOL - Você tem três filhos homens. Nunca teve vontade de ter uma menina? Você acha que sua postura seria outra?
Ratinho - Não. Eu sou um cara calmo, tenho quatro netas, uma nem veio ainda, mas já estou contando. Fui um paizão e estou sendo um avozão. É uma delícia ser avô.

UOL – Como é sua relação com seus filhos?
Ratinho - É a melhor possível, eu apoio eles em tudo. Em todos os meus momentos eu estou com eles. O Rafael, 26 anos, sempre foi mais apegado a mim, apesar de eu achar que ele faz isso para ganhar alguma coisa, pois sempre que ele me abraça é para pedir dinheiro. Os três (Carlos Roberto, Gabriel e Rafael) sempre dormiram comigo. Minha cama deve ter uns dez metros. O Rafa dormia ao meu lado e o Gabriel do lado da Solange [mulher]. Isso durou até a adolescência deles. O mais velho (Carlos Roberto) tem 29 anos e uma cabeça de 40, ele é muito maduro. Resolveu virar político vendo o “idiota” do pai [risos].

UOL - Com 20 anos você foi eleito vereador. Como você resolveu entrar para política?
Ratinho - Eu era muito popular na cidade e a população me escolheu. Eu nem sabia o que era ser vereador. As pessoas me escolheram porque eu sempre fui muito assistencialista, ajudava todo mundo e ainda ajudo. Faço doações para hospitais, clínicas, mas faço questão de não revelar minha identidade. Não gosto de demagogia. Sobrou dinheiro, estão precisando eu ajudo.

UOL – Por que você abandonou o cargo de deputado federal?
Ratinho - Fui para Curitiba, tive dois mandatos, mas foi a pior coisa que fiz. Perdi tudo o que tinha, vendi tudo para investir em obras assistenciais, em política. Quando vi, estava só com a minha casa, que era financiada, e eu não podia vender.

 

UOL - Qual a visão que você tem do cenário político brasileiro atual?
Ratinho - O governo da Dilma é muito inteligente e está tentando fazer as coisas direito, mas o Brasil tem um grande problema com partidos políticos. Tem muito ladrão atrapalhando a presidência. A população está à mercê de quadrilhas. Por exemplo: O PR (Partido da República) é uma quadrilha dentro do Ministério dos Transportes, o PMDM no Ministério da Agricultura. Quantas quadrilhas estão instaladas no Brasil e o povo não sabe? Em quantos ministérios eles estão? Por que pagamos tantos impostos e não temos nada em troca? Estão investido R$ 400 milhões na construção do estádio do Corinthians, sendo que não temos esse dinheiro. Por que não investem em clínicas de reabilitação, hospitais? Por que uma rodovia no Brasil custa muito mais caro que em qualquer outro país? Por que nos preocupamos com trem bala se não conseguimos consertar o trânsito de São Paulo? Por que não investem em transporte público? As pessoas vivem como sardinhas. Se eu fosse presidente faria tudo isso. Quem paga a campanha política do meu filho sou eu, ninguém banca nada. Ele não tem patrocinador, tem “paitrocinador”.

UOL – Quem é seu maior parceiro (a)?
Ratinho - A Solange sempre foi minha parceira, além de ser a pessoa que mais me critica. Estamos juntos há 34 anos. Ela, inclusive, me convenceu a não apresentar mais programas policiais. Ela não suporta palavrões e quando eu fico com muita “frescura” com a mulherada ela acha ruim. Minha mulher é muito ciumenta.

UOL - Como é o Ratinho nas horas livres?
Ratinho - Gosto de pescar, ficar na fazenda. Adoro assistir “Two And a Half Men”, gosto das piadas curtas, durmo assistindo isso. Sou apaixonado por forró. Antigamente era muito bom de dança. Apesar de não ser muito fã de leitura, adoro os livros do Gabriel García Marquez -- “Cem anos de Solidão”', “Memórias de Minhas Putas Tristes”. Gosto da forma como ele conduz as histórias, a facilidade que ele tem em criar enredo. Gosto também do João Ubaldo Ribeiro. Eu gosto de assistir às novelas de época como: “As Pupilas do Senhor Reitor”, “Chocolate com Pimenta” e “Cravo e a Rosa”. Atualmente estou acompanhando “Cordel Encantando”, que é uma mistura de nada com coisa nenhuma.

UOL - Você é um homem religioso?
Ratinho - Não, mas eu sou um camarada que frequenta igreja. Vou à Igreja Católica e também frequento a Igreja Assembleia de Deus. Eu me sinto muito bem nas duas. Essa coisa de escolher religião é uma bobagem do ser humano, Deus é um só. Uma vez o pastor da Assembleia de Deus pediu para eu deixar de ser católico. Perguntei a ele o motivo e o questionei se existia mais de um Deus. Ele afirmou que não, e eu respondi: “Se é o mesmo Deus, então eu vou aonde me sinto bem, independente de religião.”

 

UOL - Além de apresentador, você também é agropecuarista e empresário. Tem negócios de café, cana, soja, e é dono do SBT do Paraná, além de ter algumas emissoras de rádio. Como você administra sua fortuna?
Ratinho – Em 1994 quando comecei a apresentar o programa “Cadeia”, eu queria ter patrocínio, mas não estava conseguindo, pois os patrocinadores queriam patrocinar somente o antigo apresentador, Luiz Carlos Alborghetti. Aí resolvi criar um produto e comercializá-lo no programa por meio de um televendas. Iniciei vendendo lotes de terra e ganhei muito dinheiro. Pensei: “Melhor eu vender um produto meu, ganhando dez vezes mais, do que ficar vendendo patrocínio.” Fui criando produtos e vendendo, como Café no Bule, Xocopinho, In Natura, ração Foster, entre outros. Fui fazendo parcerias e vendendo produtos meus. Logo depois, a rede CNT começou a transmitir o programa “Cadeia” em São Paulo, das 18h às 18h30, que chegava a bater sete pontos no ibope. A partir daí eu comecei a incomodar. No mesmo dia em que a Record me convidou para ir trabalhar na emissora, eu recebi um convite da Globo para apresentar um  jornal estadual, da Bandeirantes, da Manchete e do SBT. E a CNT também queria renovar o contrato comigo na época. Vim para São Paulo, primeiramente procurei o SBT, mas eles não queriam que eu vendesse meu produto em rede nacional, aí eu preferi ir para Band, porém a direção não assinou o meu contrato. Logo depois o Eduardo Lafon [então diretor de programação da Record] me chamou para ir para Record. Em 1998, quando o Silvio Santos me tirou da Record ele dobrou meu salário. Aí, com o meu salário e com o dinheiro que eu recebia com a venda de produtos, fui comprando terras, pois não sabia lidar com o dinheiro. Foi aí que meu patrimônio cresceu. Percebi que de fato meu negócio era Comunicação e fui investindo em rádio e TV. Hoje tenho oito emissoras de rádio, comprei o SBT do Paraná (atual Rede Massa), tenho negócios de café, soja e gado. Sou um bom vendedor, vendo bem. Todos os meus patrocinadores ficam comigo mais de um mês. Direta e indiretamente eu tenho uma equipe com cinco mil funcionários para administrar meus negócios.

UOL - O que você pretende fazer com sua propriedade no Acre?
Ratinho - Recebi uma proposta de uma madeireira para comprar minha propriedade, mas descobri que eles queriam desmatar e não vendi. Foi aí que começaram a dizer que eu estava desmatando o local. As pessoas são muito maldosas! Isso foi maldade do próprio governo. Eu não conheço a área e nunca tirei uma árvore de lá, mesmo com autorização. Fiquei dez anos regularizando a terra, dei a parte dos índios para eles e regulamentei a população ribeirinha. Minha propriedade é a única no norte do país documentada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Eu pretendo vender a área para alguém que não queira desmatar o local. Também estou aberto a negociações caso alguém queira investir em sustentabilidade. Já recebi mais de dez propostas de grandes madeireiras, mas todas pretendiam desmatar irregularmente e eu não fechei negócio. Ninguém fala que eu tenho uma fazenda em Apucarana, no Paraná, com 50% de mata virgem, da qual cuido e não deixo ninguém desmatar.

UOL- Quem é seu ídolo na TV?
Ratinho – O Silvio Santos. Ele pega um papel em branco e consegue transformar em audiência. Isso é fantástico. Tem um detalhe no Silvio, uma característica comum com o cantor Roberto Carlos: Todos entendem tudo o que eles falam. Isso é fundamental para um apresentador, um comunicador, um cantor. O Silvio me inspirou. Desde menino eu assisto aos programas dele e lamento o fim do “Show de Calouros” (1981). Acredito que cabe um programa desse na televisão ainda hoje.

UOL - O SBT vai comemorar 30 anos esse ano. Você mudaria algo na emissora?
Ratinho – Mudaria, mudaria muita coisa. Minha cabeça é diferente. Se eu fosse o programador, tiraria o “Jornal do SBT” e colocaria um telejornal de cinco em cinco minutos, sendo exibido de hora em hora, a partir das 16 horas. E no lugar colocaria uma novela, em seguida o “Programa do Ratinho” [claro vou tirar eu fora? Não sou besta. Risos], e em seguida uma atração boa. O Silvio [Santos] tem que tirar uma hora do programa da Eliana, do Celso Portiolli e dá para o Ratinho [risos].

 

UOL - Quais as novas apostas do SBT?
Ratinho - Acho que a Patrícia Abravanel é uma aposta. O André Vasco, apresentador do programa “Qual é o seu talento?”, também. Ela [Patrícia] nunca tinha feito televisão antes e está se saindo muito bem. Estou louco para Hebe voltar para o SBT, ela é a cara da emissora e está deslocada na RedeTV!. Se eu fosse a Hebe faria um talk-show de meia hora, para ser exibido à meia-noite. Ela é melhor que o Jô Soares.

UOL - Você mudaria de emissora?
Ratinho - Não. Não tenho vontade de passar pela Globo, por exemplo. Claro, sou profissional, óbvio que se recebesse uma proposta boa de qualquer emissora iria. Quando o Silvio quis me tirar do ar ele tirou. Mas hoje eu tenho dificuldade de sair do SBT. Primeiro porque eu gosto da emissora, segundo porque eu devo muito ao Silvio e terceiro porque sendo filiado ao SBT no Paraná fica ruim para trabalhar em outro veículo de comunicação. Então, tenho que esperar ser mandado embora SBT, mas eu não vou pedir emprego em lugar nenhum.

UOL - Você tem uma casa em Miami, pretende morar fora do país?
Ratinho - Não. Primeiro porque não sei falar inglês. Só sei falar português e “caipirês”. Sinto-me inseguro fora do Brasil. Não gosto nem de viajar.

UOL - Você gosta de ser famoso?
Ratinho - Eu gosto de ser popular. Hoje todo mundo já me conhece. Adoro tirar foto.

UOL - Você já conquistou tanta coisa. Ainda tem um sonho?
Ratinho - 
Não, não tenho. Ah, tenho sim. Quero ter um programa aos domingos e trabalhar uma vez por semana.

http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/08/05/hoje-ha-excesso-de-desgraca-na-tv-a-ana-maria-braga-trocou-o-pudim-pelo-presunto-dispara-ratinho-em-entrevista.jhtm

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